terça-feira, 8 de maio de 2012

Resposta de uma professora à revista Veja

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”.

É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador. Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.

Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.

Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola. Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores, e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou, o que é ainda pior, envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.

Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais.

Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?

E, nas aulas, havia respeito, amor pela Pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência.

Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a "passeios interessantes", planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.

E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom.

Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais.

E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.

Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas.

Como isso é motivante..e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.

Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.

E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros.

Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade..

Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos se sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.

Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

domingo, 29 de abril de 2012

Um depoimento

Olá colegas! Sabemos que é explícito a situação do professor em sala de aula, a falta de compromisso e respeito por parte dos alunos. Para confirmar minhas palavras, tenho um e-mail de uma colega que é professora desde 1981, eis o desabafo...

"Há muito que venho me preocupando com os caminhos da educação brasileira.

Fico, por muitas vezes, me indagando qual será o destino destes jovens tão descomprometidos com o seu futuro, tão pouco interessados em ter algum tipo de conhecimento, ou mesmo uma aprendizagem que possa ser-lhes útil para uma vida profissional e quiçá, uma mudança de condição social.

E por mais que eu entenda que os valores estão mudados, custa-me a aceitar que para esses jovens faltar ao respeito com uma pessoa mais velha que eles, seja algo tão comum, e o pior ainda , é quando esta pessoa é uma professora, que tenta fazer o melhor possível o seu trabalho, sem levar em conta suas condições para realizá-lo ou quanto o Estado lhe remunera por tal tarefa.

Quando eu entro numa sala de aula como o 3° C do noturno deste ano e me deparo com alunos sentados agrupados na mais impressionante desordem, que não conseguem se desgrudar do celular, nem tirar os fones do ouvido, ou ainda não conseguem ficar sem falar com algum colega e ainda não ligam a mínima para a professora que está apenas fazendo o seu trabalho, entro em desespero. Meu cérebro tenta entender e ao mesmo tempo quero colocar as coisas em ordem, mas a minha cruzada é em vão.

Os alunos, deliberadamente, cinicamente, riem das broncas que dou, trocam olhares insultuosos e se não bastassem gestos e risos ainda proferem palavras ofensivas me chamando “de louca, de incapaz de por ordem na classe, e que eu sou sem educação" porque acabo alterando a minha voz ao exigir deles um mínimo de postura em sala de aula.

Hoje, ao aplicar a prova nesta classe, algum aluno, não sei quem, deixou seu celular tocar música de propósito para me deixar alterada. Como já venho impaciente com esse tipo de comportamento, me alterei e cheguei ao ponto de colocar um aluno para fora da classe (Wellington), quando então, a Camila ficou na defesa do referido aluno e me desacatou com as palavras citadas acima, dizendo ainda que “eu deveria me aposentar e ficar em casa vendo televisão”.

Não me recordo de já ter vivenciado semelhante experiência para realizar o meu trabalho, do qual gosto muito e sei da minha capacidade em realizá-lo.

Não sei se esse desabafo terá alguma serventia, ou será mais um dentre tantos outros que lemos por aí, mas escrevi por uma necessidade premente de organizar os meus pensamentos e acalmar o meu coração."


Elizabeth de Lima Mendonça

Professora desde 16 de agosto de 1981

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Salvem os Professores !!!





Olá colegas!!! Este blog foi criado com o objetivo de divulgar o dia a dia do professor, a maioria dos dias dos professores estão conturbados e afetando o desempenho de seu trabalho, porque será?
Um dos profissionais que deve ser visto como aliado dos pais na busca de melhores condições para estas crianças muitas vezes é pouco reconhecido e quase sempre mal interpretado. Este profissional é o professor. Sabemos que hoje, segundo dados do Ministério da Educação, quase 20% dos brasileiros com idade entre 15 e 19 anos são considerados analfabetos. Dados que preocupam, pois o Brasil tem o sétimo maior contingente de analfabetos do planeta, o que representa 12% da sua população. (UNESCO, 2005).
O que será que está acontecendo? As escolas estão cada vez mais preocupadas com o destino destas crianças e jovens, que saem sem o mínimo necessário para encarar a realidade fora de seus portões. Agressividade e falta de respeito entre professores e alunos, famílias em transformação e uma impossibilidade de agir, visto que os alunos detêm todos os direitos, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Vamos acordar pais e nos ajudem!!!